Dia Mundial do Cuidador Informal

O envelhecimento da população é uma realidade.  Segundo os resultados preliminares dos Censos 2021, na última década, a Lousã, registou um decréscimo de 3,4% da sua população aliado ao envelhecimento da população, sobretudo acima dos 80 anos. [1]

No dia 5 de Novembro celebra-se o dia mundial do cuidador informal.

O cuidador informal é a pessoa- família, amigo, voluntário- que presta assistência, de forma permanente ou não a pessoa em situação de dependência de cuidados básicos por motivos de incapacidade ou de deficiência. Vários estudos têm demonstrado que os cuidados informais têm diversas dificuldades e necessidades relacionados com a prestação destes cuidados e estão sujeitos a pior qualidade de vida, sofrem mais de doenças psicológicas. [2] Uma das explicações prende-se com os apoios insuficientes e desadequados às necessidades da pessoa em situação de dependência e do cuidador.

Ser cuidador informal é extremamente exigente. Perante tal exigência, o cuidador poderá sentir-se incapaz, só, cansado, exausto fisicamente ou psicologicamente. O médico de família para além do apoio à pessoa em situação de dependência é importante na identificação das necessidades dos cuidadores informais e mobilização das estruturas e recursos de apoio necessários e adequados. Se é cuidador informal, aborde as suas dificuldades, medos, expetativas com o seu médico família. Só estando bem, poderá prestar os melhores cuidados.

Os cuidados informais têm um papel fundamental na prestação de cuidados. Para além de reconhecer o seu papel, urge organizar estruturas de apoio social, saúde e financeiros.

Tem-se verificado uma crescente sensibilização para o papel do cuidador informal e têm sido dados alguns passos no seu reconhecimento com atribuição do Estatuto do Cuidador Informal, mas que, à data, não está acessível a todos. [3] Têm também surgido alguns programas de apoio multidisciplinares em alguns concelhos com caracter experimental (“pilotos”) dos quais a Lousã não faz parte.

A Lousã possui diversas iniciativas de apoio e incentivo ao envelhecimento ativo e diversas estruturas de apoio à população idosa. No entanto, e citando o relatório “Diagnóstico Social do Concelho da Lousã”, as respostas sociais são insuficientes e inadequadas “face às necessidades reais dos idosos, quer ao nível dos dependentes, quer dos mais autónomos”, sendo que promovido pela rede Social do Concelho da Lousã “não existem acordos estabelecidos com Instituições Particulares de Solidariedade Social do concelho para garantir o atendimento /acompanhamento social das famílias, apesar ser assegurado com colaboração destas instituições”. [4]

Urge considerar o cuidador informal nas estratégias de intervenção social relacionadas com as políticas de envelhecimento e situação de vulnerabilidade para que seja possível melhor capacitar quem cuida.

Referências bibliográficas:

[1] Censos 2021 [página na Internet]. INE – Plataforma de divulgação dos censos 202, Statistics Portugal [consultado 2021 out 18].Disponível em: https://censos.ine.pt/scripts/db_censos_2021.html

[2] Plöthner M, Schmidt K, de Jong L, Zeidler J, Damm K. Needs and preferences of informal caregivers regarding outpatient care for the elderly: a systematic literature review. BMC Geriatr. 2019 Mar 13;19(1):82. doi: 10.1186/s12877-019-1068-4. PMID: 30866827;

[3] ESTATUTO DO CUIDADOR INFORMAL: CUIDADOR INFORMAL PRINCIPAL E CUIDADOR INFORMAL NÃO PRINCIPAL. INSTITUTO DA SEGURANÇA SOCIAL, I.P [consultado 2021 out 18].Disponível em:http://www.seg-social.pt/documents/10152/17083150/8004_Estatuto%20Cuidador%20Informal%20Principal%20e%20Cuidador%20Informal%20n%C3%A3o%20Principal/edcbe0f7-3b85-48b8-ad98-2e0b2e475dd4

Artigo elaborado por:

Tatiana Peralta

Interna de Formação Específica em MGF

USF Serra da Lousã